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sábado, 25 de março de 2017

Solidão - Clarice Lispector


Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Natália Correia




Como dizer o silêncio?




Se em folhagem de poema


me catais anacolutos


é vossa a fraude. A gema


não desce a sons prostitutos.




O saltério, diletante,


fere a Musa com um jasmim?


Só daí para diante


da busca estará o fim.




Aberta a porta selada,


sou pensada já não penso.


Se a Musa fica calada


como dizer o silêncio?




Atirar pérola a porco?


Não me queimo na parábola.


Em mãos que brincam com o fogo


é que eu não ponho a espada.




Dos confins, o peristilo


calo com pontas de fogo,


e desse casto sigilo


versos são só desafogo.




E também para que me lembrem


deixo-os no mercado negro,


que neles glórias se vendem


e eu não sou só desapego.




Raiz de Deus entre os dentes,


aí, pára a transmissão.


Ultra-sons dessas nascentes


só aves entenderão.








CORREIA,Natália. Poesia Completa.


Publicações Dom Quixote.1999.




Atualização

Boa noite, pessoal!

Não faço ideia se as pessoas ainda entram aqui no blog, talvez, nos últimos anos, tenha faltado inspiração na minha vida, porém, apenas parei de publicar aqui os meus textos, por falta de tempo, preguica, etc.

O que importa é que mudamos, evoluímos, estamos sempre em constante construção, seja no mundo dos sonhos, seja no mundo real.

Por muitas vezes, acabamos nos deixando levar pela acomodação que o mundo dos sonhos nos proporciona, a satisfação de pensar, imaginar, inventar realizações no mundo que criamos inconscientemente, nos faz cair em uma grande armadilha, quando conseguimos enxergar que as coisas não são aquilo que pareciam, bate aquele desânimo e o desespero de acordar de um pesadelo que nós mesmos criamos.

Em outra perspectiva, é notório refletir o quanto de força precisamos colocar em nossas ações, para que de fato consigamos realizar os nossos desejos. Nós somos movidos por vontades, às vezes, os sonhos mais simples nem realizamos, acabamos não nos dedicando, pois já estamos ali, sentados na beira do lago que criamos, esperando que apareçam super poderes e que possamos um dia, nos atirar no lago e nadar como os peixes.

Enfim, o mais importante é sempre saber caminhar, não importa a direção, desde que saibamos onde estamos indo e onde queremos chegar.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ah! Madruga, companheira!

É madrugada! Não existe silêncio na noite...
As palavras tornam-se efervescentes na mente!

A hora do galo aproxima-se!

                      Opa!

                                      Já Cantou!

Ficamos trancados na sala dos cegos ao amanhecer!

Que dia lindo deve estar lá fora!
Mas não podemos ver!

A noite aproxima-se novamente,
Vejo uma névoa perante meus olhos...

Voltou a madrugada! 
Que beleza admirar as Estrelas...

O silêncio nos abandonou!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ausência!

Mestra em História da Literatura. Casada. 2 vezes Professora de Literatura no Ensino Médio da rede Estadual. Esses são os motivos do meu orgulho ausente neste blog, quem sabe a vida me traga novamente pra cá?! 

domingo, 11 de agosto de 2013


É tão bom ser lembrada que este blog existe. Embora eu passe tempos sem atualizar as coisas por aqui, sempre é bom ser surpreendida pelos comentários que aqui caem como estrelas no céu.
Não atualizar o blog, não significa que não tenho escrito, aliás tenho escrito bastante em virtude do mestrado, da carreira docente e lógico, não deixei de lado meus poemas e outros textos que perturbam minha mente de vez em quando, talvez o blog tenha perdido tempo de dedicação por vários motivos, mas ainda tenho esperanças de torná-lo mais ativo ao decorrer dos meses, à medida que me abrirem espaços para tal.
Muitas vezes penso em diversificar este espaço, mas tenho medo de fugir à ideia inicial de um espaço literário e tornar um muro de lamentações sociais, visto que, para mim a literatura inclui o fato social e aqui ele sempre se deu de forma pessoal dentro daquilo que me flagela, e principalmente vindo de dentro. O que seria mais difícil para esta pessoa aqui...  no fim das contas, acabar deixando o blog com uma cara que não é minha, mas posso tentar chegar lá aos poucos, sem assustar ninguém, mostrando que quase tudo mudou na minha vida nos últimos tempos.
Por enquanto é isso, talvez parte de um desabafo.
Abraços!

quinta-feira, 11 de abril de 2013


Hoje tive coragem de voltar no tempo. Senti o cheiro. Escutei o som. Toquei na cor. Lembrei o sabor. Tão perto e tão distante. O passado dói só em quem não soube ficar com as boas lembranças. A vida passa. Ainda dançamos sob os mesmos acordes. Tão perto e tão distante. Nada é como antes. Tudo se divide. Acredite! É demais para a minha mente. Sempre pensamos. Nunca assumimos! Sempre queremos. Nunca conseguimos! Tão perto e tão distante. A vida muda. Tudo vai embora. Nada volta! Fica a vontade. Ontem. Hoje. Tudo se repete! A força sempre vem de dentro. Acredite! Ainda há vida na solidão. Aproveite! Tão perto e tão distante. Vamos partir. Uma hora. Sempre vamos. Adeus lembrança. Adeus!


Moça com brinco de pérola - Johannes Wermeer

sexta-feira, 15 de março de 2013

Faz tanto tempo... e falta tempo!



Tenho tantas coisas pra falar, publicar e mostrar... pode ser que a partir de abril a Sra. Solidão volte a ter minha companhia!

sábado, 16 de junho de 2012

Os poemas


Mário Quintana
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...


QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM,1980.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ganhei um presentão da @livrariafolha

Participei do concurso em comemoração aos 2 anos da Livraria da FOLHA, no Twitter e ganhei 9 Livros e 1 Box com DVDs.



Parabéns pra Livraria da Folha e sigam o twitter @livrariafolha !!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Papo de Poeta com Francisco Petros.

Nome: Francisco Petros.

Cidade/Estado/país: São Paulo-SP, Brasil.

Formação: Economista pela PUC-SP, Mestrado em Finanças e Economia, Mestrado (incompleto) em Literatura Comparada.

Blog/sites que participa: Paidéia (http://franciscopetros.blogspot.com), Migalhas (http://www.migalhas.com.br/mig_eco_politica.aspx)

Livros/poemas em antologias publicados: Tempo Inaudito, 2007.

Projetos atuais: Um livro de ficcção em fase de finalização.

Como a literatura começou a fazer parte de sua vida? Meu pai Petros Georgios era um intelectual. Desde a fase mais tenra ele me estimulou a ler os clássicos brasileiros e universais. A partir da fantasia infantil/juvenil construí o meu amor pela literatura.

Quais motivos/autores / obras o levaram a se dedicar ao Universo Literário? A literatura é a forma de expressão mais radical da existência humana. Ali, encontramos a realidade humana radicalizada em sentimentos e percepções que elevam a realidade à categoria de arte. Trata-se da tradução do universo humano por meio do autor que a despeja de volta nas mentes dos leitores.

Que perspectivas tens em relação a Literatura atual produzida em seu país? Infelizmente a literatura requer certa capacidade de abstração que está intimamente relacionada ao processo de aprendizado e educação (formal ou não). Assim sendo, o universo da literatura no Brasil reflete a mazela da educação, atrofiando-a do ponto de vista do "consumo" de livros com boa literatura. Do ponto de vista criativo, o Brasil exala criatividade por todos os poros. Somos um país cujas contradições são iluminadas oportunidades de fazer literatura.

O que é poesia para você? A poesia é, como a música e a matemática, a forma mais intensa e elevada de abstração. Por meio dela podemos extrair imagens e pensamentos que vão muito além da objetiva significação das palavras. A poesia é o sal da literatura. É a expressão mais íntima de uma cultura e o vigor mais intenso daquilo que chamamos "alma humana". É como Deus: onipresente, onipotente e eterna. Mesmo que poucos creiam.

Qual mensagem procuras passar para seus leitores através de seus textos? Sinceramente, não penso nos leitores, enquanto leitores apenas, quando escrevo. Uso as palavras para falar sobre a condição humana, a partir de minha íntima percepção, e sem a preocupação em relação aos seus "resultados". Uma obra literária, um poema, uma música, sai da mente do escritor e, a partir daí, pertence a quem lê, escuta e vê. A literatura é criação do autor, mas é obra para cada criatura. Sem controle, diga-se.

Como você acha que suas obras serão vistas daqui a cem anos? No longo prazo todos estaremos mortos. Não terei controle sobre mim mesmo. Muito menos sobre a minha obra.

Um lugar? Pasárgada.

Uma cor? Verde.

Um autor? Dois: Homero e William Shakespeare.

Um livro? Hamlet.

Amor? É a nossa única alternativa para a sobrevivência.

Solidão? Todos somos sós. A vida a tentativa eterna de romper esta realidade.

Arte? Caravaggio.

Um segredo? Meu novo livro. Uma ficção que temo não ter coragem de publicar.

Ficção? "Ilusões perdidas" (Illusions Perdues) de Honoré de Balzac.

Realidade? Ela não existe. É uma construção humana.

Que recado você gostaria de passar para os leitores do blog? "É absurdo ter regras absolutas sobre o que precisamos ler e o que não precisamos ler. Mais da metade da cultura moderna repousa sobre aquilo que não precisamos ler". Uma frase de Oscar Wilde que vale até hoje nos tempos da internet e do Facebook.


Tempo Inaudito

Tempo sempre inaudito
Mas tempo sempre presente
Torna tudo em um delito, ó maldoso semovente!
Faz morrer desde o óvulo e a semente

Resta-nos a angústia de viver, mesmo que sem imensidão
Mesmo que trôpegos nos temores do tempo
Mesmo que tristes (ou felizes) diante do inevitável
Ainda com alguma esperança nas mãos (e no coração?)

É tempo... Sei que corrompes adrede
Se puderes, deixa viver o presente
Deixa esquecer o passado

Sei que esta seiva que nos resta
Tu também levarás... Eu, irônico, direi então
Tempo, e agora, o que tu farás?

Em “Tempo Inaudito” (2007), por Francisco Petros - Edição do Autor

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vozes do mar - Florbela Espanca


Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...


Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?


Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!


Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Presença!!